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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

067. Eu sou profeta de...de quem?

Nunca tive dúvidas com relação a uma coisa: eu não sou profeta ou homem de Deus.

Assumir esta posição/título é extremamente perigoso. Quem afirma ser homem a serviço de uma divindade sempre acredita que a sua fala corresponde à voz da divindade. Tenho muito receio quando ouço pessoas gritando: "Eu sou profeta!", "Eu sou homem de Deus".

Coitados? Não desta vez não. Se não sabem o que é o movimento profético no AT, então não deveriam assumir o título. Usam as palavras sem saber o significado delas.

Eis um trágico exemplo:

Sequestrador do México é cantor, pastor (grifo nosso) e mestre de lutas

Por Catherine Bremer

CIDADE DO MÉXICO (Reuters) - O homem que sequestrou na quarta-feira um avião no México é pastor evangélico, cantor de música gospel, atirador e mestre em artes marciais. O "Louco", como é apelidado pelos amigos, abraçou a religião para escapar de uma vida de drogas e pequenos roubos.

O boliviano José Mar Flores, 44 anos, dominou o avião que fazia o vôo Cancún-Cidade do México agitando uma Bíblia e latas de suco cheias de terras e amarradas com fita crepe e fios, de modo a parecerem bombas.

O avião da Aeroméxico pousou na capital mexicana e todos os passageiros desembarcaram em segurança, depois que um tripulante conseguiu acalmar o homem, que leu a Bíblia, chorou, rezou e disse que precisava alertar o presidente Felipe Calderón sobre um iminente terremoto.

"Amo esta nação, amo o povo de Deus, quero que rezemos porque coisas tremendas vêm por aí", disse Flores a jornalistas depois de ser preso. "Só há uma forma de evitar isso - com união, gritando onde quer que estejamos, seja quem formos, qualquer que seja a nossa religião, implorando a Deus para que isso não aconteça."

O ministro da Segurança mexicano, Genaro García Luna, disse que Flores contou à polícia que decidiu sequestrar o avião em 9 de setembro de 2009 - 9/9/9 - porque a data é uma inversão do 666, "o número do demônio". Afirmou ainda que estava acompanhado do Espírito Santo na sua missão.

O homem ainda não recebeu indiciamento formal. Seguidores da Igreja Evangélica onde ele prega, perto de Oaxaca (sul do México), disseram que ele tem o dom da cura, e vizinhos o descreveram como uma pessoa pacata e respeitosa.

Mas um vídeo na Internet revela um personagem bizarro, com obsessão pelo manejo de pistolas no estilo dos caubóis e domínio das artes marciais. Amigos o apelidaram de "El Loco Flores", segundo o jornal Reforma.

Num dos vídeos, Flores gira pistola no dedo, faz algumas manobras com "nunchucks" - bastões de luta unidos por correntes - e então joga uma moeda para o ar e a alveja, caindo dramaticamente e rolando no chão. Em seguida, abre com um tiro um buraco na sua carteira e depois examina as cédulas furadas dentro dela.

CANTOR GOSPEL

Em seguida, Flores aparece sob um plástico num barco, num cânion do sul do México, implorando a Deus que pare uma tempestade. Quando o céu clareia, ele atira sua pistola no rio e levanta os braços, sob aplausos de amigos.

"Eu era o gatilho mais rápido de Santa Cruz, Bolívia. Mas Cristo mostrou a si próprio como sendo o todo-poderoso", diz Flores num sermão também filmado. "Prometi a Jeová que nunca mais na minha vida pegaria numa arma."

A mulher dele, Elizabeth Melgar, pediu desculpas pelo sequestro do avião com 104 passageiros a bordo, e disse que seu marido apenas queria chamar a atenção da imprensa para o suposto terremoto iminente. "Ele só queria ser ouvido. Só o tempo dirá se foi realmente Deus quem o enviou."

Flores chegou da Bolívia para o México há uma década, viciado em cocaína e depois de cumprir pena de prisão, e começou a cantar na popular praça Garibaldi, no centro da capital, segundo o Reforma.

Também teria mendigado e cometido furtos até que ficou amigo de um homem que o levou para a igreja, onde se tornou pregador e ajudava dependentes em drogas.

Sob o nome artístico de Josmar, ele gravou CDs de música gospel, com voz potente, em vibrato, acompanhado de órgão elétrico. Em todas as capas, aparecia sorridente.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

051.É a vida...

Por motivos que fugiram ao meu controle, fiquei um longo tempo sem realizar postagens. Peço desculpas às todos os leitores (se é que há algum).

Para me redimir, escrevo uma historinha...

Olhava ao redor como se procurasse entre os rostos desatentos alguma esperança. Sentia o suor molhar o rosto, as mãos tremiam como se quisessem ignorar seus comandos, a respiração ficava curta e até difícil. Ataque de pânico foi o que leu na internet. Ansiedade foi o que viu num folheto em algum consultório médico. A verdade é que ele sabia muito bem que todas as sensações tinham apenas um motivo: sua incapacidade em aceitar uma igreja tão diferente daquela que conseguia enxergar na Bíblia.

Nas palavras do pastor ele não encontrava alento, de fato, nem sequer concordava com o que o pastor dizia. Considerava o pastor um dos principais responsáveis pelo estado frio da igreja. Durante os cultos, sentia que era o momento de se levantar e gritar a plenos pulmões o quanto todas as músicas e coreografias eram mecânicas e as mensagens secas e ocas. Mas não o fazia. Ele era apenas um jovem e seus 21 anos não davam forças às suas palavras como ao seu corpo. Não era bacharel em Teologia, cursava uma faculdade comum. Desprovido de qualquer chamado divino suas palavras pareceriam ainda mais fracas para a congregação. Esta buscava cada vez mais os feitos sobrenaturais e apenas o “mover” do espírito importava. A tradição era desprezada, característica dos tempos pós-modernos em que se encontrava. Desprezavam também os mais necessitados, apenas a elite da igreja gozava de direitos. Os grupos menores não importavam. Aos olhos da comunidade, a elite tinha o poder dado diretamente por Deus e tudo o que fazia era de acordo com a vontade divina.

Ele, pelo contrário, cogitava constantemente se havia uma ordem divinal para falar o que sentia e por fim a toda hipocrisia daquela elite. Lembrava os profetas bíblicos, Amós, Oséias, Isaías e desejava ser como eles. Falar contra as autoridades corruptas e frias, lembrar a aliança do Senhor ao povo, voltar às origens para buscar o sentido do presente e, assim, notar o amor ao próximo de volta aos corações.

Quando não agüentava mais e sentia que o momento de rebelar-se chegara, pensava em sua família, tão tradicional na igreja, o que eles pensariam? E a vergonha para seus pais? E o que as demais pessoas pensariam dele? Por levantar no meio de uma mensagem e bradar contra a direção da igreja, na certa o chamariam de louco e não de profeta. Não que ele quisesse este título, mas também não queria ser chamado de louco. Pensava no que perderia caso se levantasse contra a igreja. Perderia o apoio da família, perderia as amizades, perderia aquela igreja como local de reunião. Embora não concordasse com o que acontecia semanalmente ali, refletia que não estar ali poderia ser pior. Foi neste momento que percebeu que não era a experiência religiosa com a divindade que tinha mais importância para ele. Eram os costumes, eram as tradições que ele defendia, era a acomodação do lugar que o mantinha ainda ali.

Chorou. Pensou que tudo o que sentia não era forte o suficiente para tirá-lo da acomodação daquela comunidade. Se sublevar àquela igreja era ter a certeza de que havia falado o que precisava para sentir-se em paz. Mas isso indicava que agora ele não teria mais lugar para ficar. Ser excluído do meio daquele povo era ser jogado nu na escuridão. Não haveria uma luz fraca seguida por todos. Seria necessário buscar, sozinho, alguma chama e isso significava andar no escuro e no frio da solidão por um tempo que ele não sabia qual. O medo do desconhecido o atingiu e ele sentiu um frio no estômago.

No domingo seguinte, no meio da mensagem ele levantou-se.

Foi ao banheiro, molhou o rosto e respirou fundo. Olhou-se no espelho, olhou para o alto e disse:

― Senhor, afasta estes pensamentos da minha mente.

Voltou ao santuário e sentou-se, percebeu dois ou três olhares reprovadores por ter saído no meio do sermão, abaixou a cabeça e continuou fingindo prestar atenção no que o pastor dizia.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

014. Por que não acenderam a luz?

Para variar, mais uma postagem que surge de uma conversa virtual.

Pergunto-me: por que tantos pastores que estiveram perto de mim nos últimos 26 anos não acenderam a luz?

Eles estudaram onde agora eu estudo. Eles souberam o que agora eu sei. E, se tenho o desejo de contar à todas as pessoas o mais rápido possível, pois entendo que é preciso que saibam, por que eles não contaram-me quando tiveram oportunidade?

Preferiram me deixar no escuro. Por que? Será que não sabiam o que dizer? Claro que sabiam. Como alguém pode estudar durante 4 anos no STBSB e não saber? Ignorando. Mas, se foi este o caso, como puderam me considerar incapaz de saber e decidir se deveria ignorar? Eu não tinha o direito de escolha?

Os pastores (não são todos. Mostre-me apenas um que não seja como descrevo e ficarei momentaneamente feliz) consideram suas "ovelhas" como "ovelhas". Entendem literalmente a ideia de serem pastores. Cabe a ovelha o comer, beber, dormir, defecar, urinar, procriar e então ser tosquiada ou morta. Qual a escolha da "ovelha"? Nenhuma.

Será que tinham medo do que a "ovelha" pudesse fazer se percebesse que podia escolher o seu caminho? Ou será que gostavam de controlar e de se sentirem importantes e indispensáveis?

Se tivessem acendido a luz, conquistariam meu respeito e afeição. Muito mais precisaria deles.

Como não fizeram e não têm respostas para não tê-lo feito, recebem meu desapontamento e desprezo.

Então é aqui?

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