quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

116. Existe solução?

Olhe para o caos do mundo.

Para vê-lo basta olhar para os lados e principalmente para baixo. Para onde ninguém mais olha.

Há solução? Não sei...mas canto!

Sob Pressão

Pressão, me derrubando com um empurrão
Derrubando você nenhuma pessoa pede isso
Sob pressão - que incendeia um edifício inteiro
Divide uma família em duas
Coloca pessoas nas ruas
Tudo bem!
É o terror de saber
A que ponto chegou o mundo.
Observando alguns bons amigos
Gritando 'Deixem-me sair!'
Rezo para que o amanhã - me deixe mais animado.
Pressão sobre as pessoas - pessoas nas ruas
O.k.
Dando pontapés por aí -
Chuto meu cérebro pelo chão
Estes são os dias em que nunca chove mas transborda
Pessoas nas ruas
Pessoas nas ruas
É o terror de saber
A que ponto chegou o mundo
Observando alguns bons amigos
Gritando "Deixem-me sair!"
Rezo para que o amanhã - me deixe mais animado
Pressão sobre as pessoas - pessoas nas ruas
Afastei-me disto tudo como um homem cego
Sentei num muro mas isso não funciona
Continuo fornecendo amor
mas ele está tão rachado e despedaçado
Porquê - Porquê - Porquê?
Amor, amor, amor, amor
A insanidade sorri, sob pressão estamos pirando
Não podemos dar a nós mesmos mais uma chance
Por quê não podemos dar ao amor mais uma chance
Por quê não podemos dar amor...
Dar amor, dar amor, dar amor, dar amor...
Pois o amor é uma palavra tão fora de moda
E o amor te desafia a se importar com
As pessoas no limite da noite,
E o amor desafia você a mudar nosso modo de
Nos preocupar com nós mesmos
Esta é nossa última dança
Esta é nossa última dança
Isto somos nós mesmos
Sob pressão
Sob pressão
Pressão

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

115. Do erro.

Errar é fácil. Saber o que é certo e não o fazer é uma definição simples e boa para erro. Está escrita, embora não como definição no livro de Tiago cap.4 vers.17 da seguinte maneira: "Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz comete pecado.".

Esta definição, no entanto, pode ser confusa, uma vez que tentar determinar o que é certo e o que é errado pode complicar muito a vida tendo em vista a multiplicidade de influências internas e externas.

Um exemplo prático: crianças com 12 anos de idade não podem se casar no Brasil. É errado. Alguns afirmam ser pedofilia mesmo com o consenso do menor de idade. Com relações às questões jurídicas, deixo para meu amigo Carlos.

Analisemos a questão apenas no âmbito cultural. Durante a antiguidade e até no período dos primeiros pais da Igreja o casamento era comum a jovens desta idade, como pode ser percebido nas palavras de Justo L. Gonzalez ao se referir à irmã de Basílio de Cesaréia e Gregório de Nissa. Diz ele que “Aos doze anos Macrina já era uma mulher formosa, e seus pais deram os passos que naquela época eram costume, para preparar seu casamento." (GONZALEZ, 2007, p.126).

Ora, se algo é errado, então é errado em qualquer data e qualquer ocasião. Mas se é possível perceber que o casamento de pessoas com apenas 12 anos não era errado e agora é então houve mudança. Se há mudança então o “erro” não é tortuoso em si, mas carrega um significado atribuído por alguém em determinado tempo. Assim, a frase correta seria “Se algo é considerado errado, então será errado enquanto existirem aqueles que aceitem o significado imputado”.

Acredito que seja melhor deixar bem claro que não sou favorável ao casamento de pessoas com apenas 12 anos. Nem com 13, 14, 15, 16, 17...

A questão é que o erro representa apenas aquilo que em algum momento foi determinado como inconveniente para outro alguém ou para si mesmo.

Mesmo com as muitas diferenças culturais é possível definir o erro?

Compartilho em parte a visão de um professor. Aquilo que faz o outro sofrer é errado. Complemento que aquilo que faz o outro sofrer injustamente é errado, bem como aquilo que nos faz sofrer injustamente seja errado.

Sofrer injustamente?

Se entendermos o sofrer como “passar por algo que causa dor”, existirão muitas ocasiões em que o sofrimento pode ser natural e até necessário.

Um exemplo de sofrimento natural pode ser encontrado em Gregório de Nissa, já que falamos da irmã, quando afirma que “quem não se casa não precisa passar pela dor de ver sua esposa em dores de parto, nem pela dor maior de perdê-la.” (GONZALEZ, 2007, p.133).

Um exemplo de sofrimento necessário pode ser encontrado em duas postagens, a saber, http://soperdidoeemduvida.blogspot.com/2009/07/005-do-despertar-da-consciencia.html e http://peroratio.blogspot.com/2009/07/2009394-entre-profundamente-triste-e.html.

Infelizmente a maioria das pessoas não olha para o mal que causa. Cada um sente a sua dor e por isso ignora a dor do outro, mesmo quando esta chaga é aberta por mãos que deveriam cuidar.

Agora me lembro da mulher adúltera da passagem de João 8.1-11. “Ela pecou!”, “Ela contrariou nossas leis!”, “Ela nos ofendeu!” e com pedras em punho esperavam cumprir a lei e restaurar a ordem ou simplesmente testar Jesus. E Jesus talvez não se importando com o teste ou apenas fornecendo a melhor resposta possível diz “Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire a pedra contra ela”.

“Aquele que está sem erro.”.

Parece ser um olhar para o outro. Parece ser cuidado. Parece ser o entendimento de que por mais que alguém tenha dito que algo era “ERRO” a vida humana vale mais. Parece o pensar que talvez o que é considerado erro por mais que seja falha talvez deva ser perdoado. Parece o saber que uma pessoa não pode ser definida por seus erros.

Lembro de uma esposa de um renomado pastor que o abandonou. Não fugiu com outro, apenas deu fim ao casamento. Tempos depois ela apareceu na igreja que eu freqüentava. Pedras foram erguidas e uma delas soou perto do meu ouvido. Dizia: “Como é que tem coragem de voltar aqui?”. Absurdo. A igreja não seria o local ideal para que ela estivesse? De acordo com a frase citada provavelmente não.

Retiro ainda mais alguns exemplos.

Que falar do grande Ambrósio de Milão? O mesmo homem que disse:

É muito melhor guardar almas para o Senhor, do que ouro. Porque quem enviou os apóstolos sem ouro, sem ouro reuniu também as igrejas. A igreja não tem ouro para armazená-lo, mas para entregá-lo, para gastá-lo em favor dos que têm necessidades....Melhor é conservar os vasos vivos que os de ouro. (GONZALEZ, 2007, P.141).

Foi o mesmo que não permitiu que cristãos fossem punidos por terem queimado uma sinagoga judia. Resultado? Judeus tiveram sua sinagoga destruída e não reconstruída, cristãos culpados não foram condenados e ficaram impunes e o germe do poder e prevalência do Cristianismo em relação às outras religiões.

Que falar de Agostinho de Hipona? O mesmo homem que estruturou a fé da igreja com sua obra extensa e grandiosa chegando a ser considerado logo após Paulo como aquele que direcionou a Igreja e que lindamente disse:

Quando pensava em me consagrar por inteiro ao teu serviço, Deus meu, ...era eu quem queria fazê-lo, e eu quem não queria fazê-lo. Era eu mesmo. E por que não queria de todo, nem de todo não queria, lutava comigo mesmo e me rasgava em pedaços. (GONZALEZ, 2007, p.163)

Foi o mesmo que disse a Jerônimo:

Rogo-te que não dediques teus esforços à tradução dos livros sagrados para o latim, a menos que sigas o método que seguiste antes, em tua versão do livro de Jó, ou seja, acrescentando notas que mostrem claramente em que pontos tua versão difere da Septuaginta, cuja autoridade é inigualável... Além disso não vejo como, depois de tanto tempo, alguém possa descobrir nos manuscritos hebraicos alguma coisa que tantos tradutores e bons conhecedores da língua hebraica não tenham visto antes. (GONZALEZ, 2007, p.161).

A tradução em que Jerônimo trabalhava seria conhecida como A Vulgata, versão que foi consagrada pelo Concílio de Trento em 1546 e que após uma revisão realizada após o Concílio Vaticano II foi definida como a Bíblia oficial da Igreja Católica e utilizada em sua liturgia.

Os erros dos dois grandes da “Era dos Gigantes” como intitula Gonzalez representam razões suficientes para invalidar o restante da obra desempenhada?

Talvez precisemos apenas de um novo olhar. Como o olhar de Jesus. Um olhar que enxergue além dos erros e veja a pessoa. Não um olhar mutilado em que a razão é encoberta e o erro acaba oculto, mas um olhar que vê o erro, mas que este não se torna o “chumbo” que impede a visão do ser humano.

Dizem que “Errar é humano e Perdoar é divino”. Não sei. Gosto da corrente de pensamento que vê em Jesus alguém tão humano que só poderia ser divino. Pelo meu parco entendimento é apenas quando o de mais humano brota que o divino é percebido, como a sabedoria do Antigo Testamente que enxergava no comer, beber e gozar a vida ao lado da mulher amada como porção dada pela divindade nesta vida. Fazer estas coisas era viver a vida dada pela divindade.

Se alguém me disser que o que escrevo aqui é errado, perguntarei:

Errado para quem?

E principalmente:

Por quê?

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

114. Um longo caminho.

Não posso dizer que foi um longo caminho. É certo que o caminho foi árduo e demorado, mas não posso dizer que "foi". Não foi. É.

Levei muito tempo para chegar onde estou e sinto que ainda não cheguei ao final. Sinto que as dúvidas se multiplicam e que as certezas dobram.

O estudo da Teologia não pode ser responsabilizado por eu ter tomado um determinado caminho. Quando ainda estava na igreja e frequentava os cultos, EBD's e demais atividades já sentia o erro em algum lugar, mas não conseguia perceber.

O estudo da Teologia apenas mostrou uma possibilidade que encontrar os erros e acertos. Como bem disse, após uma de suas aulas da matéria de "Hermenêutica", o professor Dr. Osvaldo Luiz Ribeiro, "se você ouviu tudo isso e nada aconteceu pode ir embora para casa, mas se ouviu e era tudo o que você sempre quis ouvir, então...". Eu sempre quis ouvir. E ouvi.

Sempre sou surpreendido quando vejo pessoas que cresceram comigo na Igreja.

Muitas estão lá ainda e estas me intrigam. Como conseguem?

Outras tantas estão fora. Sem estudos de Teologia.

E pergunto-me:

Como podem abandonar tudo tão facilmente?

É uma questão errada. Se foi facilmente ou não eu não posso saber a não ser que pergunte. Mas sei que abandonaram tudo ou quase tudo. Abandonaram aquilo em que foram educadas desde o nascimento.

Fico surpreso de ver estas pessoas no estado em que se encontram.

Algumas abrem sorrisos espontâneos e bonitos de serem apreciados. Ontem mesmo recebi dois desses sorrisos e fiquei contente por estas pessoas estarem bem ou pelo menos por parecem bem.

Outras exibem um semblante descaído. Triste. Pergunto o que há e a resposta é tímida e inaudível.

Em meu longo caminho quase tenho a presunção de dizer que sei a razão da felicidade e da tristeza, mas me contenho. Seria errado, por mais certo que estivesse.

A questão é que parei, li, pensei e gastei muito tempo parando, lendo e pensando e fui aos poucos chegando às conclusões que se tornaram em decisões e ações, afinal, acreditei piamente em muita coisa durante muito tempo e abandonar seria extremamente difícil. E foi.

Mas e estas pessoas? Às vezes por causa de um namoro, por causa de um trabalho, por causa de uma briga abandonam tudo em que sempre acreditaram. É claro que a intensidade do sentimento no namoro justificaria, assim como a necessidade do dinheiro conseguido pelo trabalho executado e, de igual maneira, a dor da briga justificaria. E digo que as razões são justificadas por que cada um sabe a alegria e a dor que sente.

Não posso dizer que não se deve abandonar algo por um motivo X, mas que se deve abandonar por um motivo Y.

A pergunta é: será que acreditaram em algum momento em tudo aquilo que ouviram durante anos?

Não me cabe julgar, mas é extremamente interessante como algo profundamente aterrador para alguns, é banal para outros.

O diálogo entre estas diferentes pessoas em seus diferentes caminhos seria incrível para todos. Poderia não ser agradável, mas conheceríamos as razões de cada um. Sem acusações. Apenas argumentos sendo colocados, analisados, debatidos e aceitos

É um sonho. Talvez distante. Talvez não.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

113. Para os que pensam...

... para os que amam...

Tenho tanto sentimento)

Tenho tanto sentimento

Que é freqüente persuadir-me

De que sou sentimental,

Mas reconheço, ao medir-me,

Que tudo isso é pensamento,

Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,

Uma vida que é vivida

E outra vida que é pensada,

E a única vida que temos

É essa que é dividida

Entre a verdadeira e a errada.

 

Qual porém é a verdadeira

E qual errada, ninguém

Nos saberá explicar;

E vivemos de maneira

Que a vida que a gente tem

É a que tem que pensar.

Fernando Pessoa

...e para os que vivem esta vida dividida...

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

112. Do ano novo e suas comemorações...

Nunca atribuí muita importância para as festas de Natal e Ano Novo. Não que não entenda o sentido e a importância da festa natalina e que não me alegre com o recomeçar da vida após um ano em que todas as "promessas" não foram cumpridas.

A questão é que sempre entendi estas datas como comerciais demais. Nunca acreditei em Papai Noel. Crente não acredita num bom velhinho. Acredita em Jesus e seu nascimento em Belém. Esta forma de enxergar o Natal garante a total imcompreensão com os shoppings lotados e as inúmeras propagandas na TV e com a falta de intimidade com o famigerado HO, HO, HO.

A questão é que estas festas sempre estão presentes. Fazem parte do calendário cristão mundial, então não há como fugir delas.

Tentei um caminho inverso, a saber, compreender qual a importância destas datas.

É claro que não vou falar do óbvio aqui. Não vou falar que o Natal é o nascimento do salvador da humanidade. Este conceito já é marretado nas cabeças das crianças à exaustão.

Do Natal, nada falarei.

Das festividades de Ano Novo, destas falarei.

O que se faz para comemorar a passagem de um ano para o outro? Se reune com a família, com os amigos, faz-se um banquete, veste-se de branco ou com roupas novas...há a contagem regressiva, os fogos de artifício, as saudações ao santos, as orações às divindades...e muitas outras formas de comemorar esta passagem de um ano para outro.

Pergunto: O que de fato muda com a passagem de 2009 para 2010 ou de 1900 para 1901?

Sabe qual a resposta? Nada. Absolutamente nada muda. Ok, ok...algum mais espertinho quererá dizer que mudam os calendários...

Mas e a vida? A vida não muda. As escolhas (promessas de ano novo) feitas nesta época do ano teriam a mesma validade ou importância se feitas na metade do ano passado ou na metade do ano novo. Correto?

Não. As escolhas não teriam a mesma validade e importância e por uma razão simples. Elas são escolhas de um indivíduo em um determinado momento. Se o momento não favorece a escolha, ela não será significativa. Quem atribui significado às datas são as pessoas.

Se uma pessoa não se importa com o Natal o que se pode dizer da importância do Natal? Nada. Falemos de como os Judeus comemoram o Natal?

Pode-se apresentar argumentos, mas o significado está na pessoa. Qual o significado que o Hanukká tem para mim por exemplo? Eu o compreendo e é muito interessante. Mas daí a comemorá-lo...

Se o significado está na pessoa e não na data em si, então cada pessoa tem um significado para o seu Ano Novo.

Meu pai acredita e disse isso no culto realizado no dia 31, que é a data representativa da esperança em Deus.

Minha mãe acredita que é a data que representa as bençãos de Deus.

Não sei no que minha irmã acredita. Sei que ela gosta.

E no que eu acredito? Eu vou até os antigos e me sinto em casa. Mais ou menos. Gosto da interpretação deles.

Pois bem, qual é a interpretação dos antigos?

Quando falo dos antigos, falo dos egípcios.

Os egípcios ou aqueles que habitavam a região onde hoje é o Egito, viviam em função do Rio Nilo.

Quando o fluxo do Nilo era normal a vida brotava em todas as regiões próximas. O Nilo trazia a abundância de alimento. Os animais chegavam à região. As pessoas podiam plantar e criar animais.

Quando havia a seca do Nilo a vegetação morria, os animais fugiam ou morriam, as pessoas passavam fome, adoeciam e morriam.

Quando havia a cheia do Nilo as águas, símbolo do caos, destruíam tudo à volta. A plantação, as moradias, os animais, a vegetação e trazia também as grandes feras do Nilo. Era o caos.

Com o tempo e com a observação do cotidiano, as pessoas puderam decifrar as épocas do Nilo. E o calendário foi formado de acordo com a época de cheia do Nilo.

Com mais tempo e, são centenas e centenas de anos, as pessoas puderam aprender como domar, na medida do possível, as enchentes do Nilo.

O calendário ficou preciso.

Mas antes de aprenderem como conter as forças do poderoso deus egípcio, embora naquela época ainda não fosse um deus como hoje se entende, o momento em que o Rio Nilo secava e a vida parecia acabar era entendido como o fim do mundo.

Os habitantes da região acreditavam que o mundo ordenado estava desmoronando. Que a vida estava cessando e que era necessário fazer algo para reverter este desastre. Provavelmente os deuses estavam enfurecidos por alguma razão. E o deus Nilo estava se retirando do meio deles.

E o que fazer quando o mundo parece acabar?

Agradar os deuses e implorar misericórdia. Para tanto, a melhor maneira seria trazer ofertas para os deuses. Ofertas a serem colocadas no Nilo seco ou para formarem um grande banquete com todos os habitantes presentes. Misericórdia a ser implorada por todos que lembram os grandes benefícios dados ao longo de todo o tempo em que o Nilo estava ótimo.

É interessante que estes festivais religiosos aconteciam quando a época de retorno do Nilo estava próxima.

Eles acreditavam que ao realizar a cerimônia o mundo era ordenado novamente. E que não mais acabaria e realmente não acabava. Eles reiniciavam o mundo a cada ano.

Hoje se não fizermos um banquete o mundo não acabará. Se não houver fogos de artífico na Praia de Copacabana o mundo não acabará. Se não estivermos vestidos de branco o mundo não acabará. Se não saudarmos os santos e as divindades (atrevo-me a dizer) o mundo não acabará.

A questão é que o mundo e a vida permanecem. Continuam. Independentemente do que fizermos. Podemos tentar melhorar as condições, prolongar o tempo até, mas nenhum de nossos rituais têm o mesmo significado que os antigos entendiam como verdade absoluta.

E qual o significado de nossos rituais hoje?

Eu entendo que estamos fazendo exatamente a mesma coisa que os antigos. Estamos reiniciando o mundo. Não o planeta ou a região em que vivemos.

Reiniciamos o pequeno mundo em que vivemos. O mundo das relações. O mundo das relações com os amigos que se reúnem nesta época. O mundo das relações com os familiares que se reúnem nesta época. O mundo das relações com pessoas das quais lembramos e às quais enviamos cartões coloridos com desejos de felicidades.

É este mundo de relações que é reiniciado quando viajamos para estar com pessoas queridas. Quando afirmamos que é preciso estar com estas pessoas no começo do ano para celebrar as conquistas do ano anterior e compartilhar os desejos futuros.

Não tenho absolutamente nada contra aquelas pessoas que vão às praias super lotadas e ficam na companhia de pessoas que não conhecem. Acredito que estas pessoas estão iniciando um mundo com estas pessoas. Mas esta é uma visão bem otimista. A verdade é que muitos estão embriagados a ponto de não se lembrarem do que fizeram ou de com quem estavam. Com relação a estes eu me pergunto:

Que mundo eles iniciam ou reiniciam?

Qual é o significado das comemorações para estas pessoas? Acredito que elas apenas aceitam os significados passados como certos.

Por que comemorar algo se não entendo o significado? E por que tentar beber ao ponto de não me lembrar do que aconteceu no dia da comemoração?

Conversei com um colega no dia 30. Ele iria à praia. Ele também encheria o carro de gelo e cerveja. E comemoraria. Algum problema com isso? Nenhum.

Eu prefiro entender e comemorar ou não o reinício de alguns mundos, mas eu não sou exemplo para ninguém.

domingo, 3 de janeiro de 2010

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

110. George Carlin

Mais uma vez peço desculpas pelos palavrões.

George Carlin (saudoso) fala acerca do planeta e dos constantes cuidados dos seres humanos com esta pequenina bolinha azul.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

109. Valentes!!! Disposição!!!



Geralmente eu não atribuo muita importância a regulamentos. São sempre repetitivos. Se você leu o do ano 1950 então já sabe o que estará escrito no de 2010, no entanto, por força de obrigação tenho de ler o regulamento do ANVER-SS/10 (Acampamento Nacional de Verão dos Embaixadores do Rei – Sítio do Sossego /2010).

O regulamento é muito parecido com os anteriores, mas uma frase despertou minha atenção. O parágrafo inteiro está destacado abaixo:


O Núcleo dos Valentes não é “PRÉ- MILITARISMO”. A organização Embaixadores do Rei visa o desenvolvimento físico, social e espiritual do menino. O Núcleo dos Valentes com suas atividades visam levar o Embaixador a ser um grande Líder da Organização.


“O Núcleo dos Valentes não é “PRÉ- MILITARISMO”.”.


Não sou militar. Meu pai, minha mãe e minha irmã também não são. Tenho pouquíssimos amigos militares. Então não falo em defesa de qualquer interesse próprio, senão o de fazer perceber como o autor da frase destacada está equivocado.

Vamos começar pelo básico, a saber, o próprio Núcleo dos Valentes (NV).

A idade para ingressar no NV é de 17 anos, ou seja, apenas um ano antes da apresentação obrigatória ao serviço militar. Coincidência.

Os ERs lotados no NV não ficam acampados em construções de tijolos como os demais ERs. Eles ficam num local chamado “Fim do Mundo”, que é uma clareira no meio da mata, sendo possível o acesso apenas por trilhas.

Nesta clareira, os ERs constroem suas cabanas com materiais retirados da própria mata. Cabanas feitas com troncos, galhos, cipós e folhas.

Nesta clareira os ERs comem. Eles cozinham em fogueiras e não necessitam vir ao refeitório que os demais ERs, não Valentes, utilizam.

O nome do Núcleo é uma alusão ao grupo formado pelo personagem bíblico Davi e intitulado “Valentes de Davi” de acordo com a passagem bíblica de 1 Crônicas 11.10. Estes Valentes eram homens poderosos e de guerra. Suas proezas nas batalhas são descritas e por elas são conhecidos como se pode conferir em 2 Samuel 23. 9-38.

No NV os ERs aprendem como sobreviver na mata. Como construir abrigo. Como construir uma balsa. Como fazer fogo. Como cozinhar. E aprendem que a união é essencial para a sobrevivência num local difícil. Falo por experiência própria. Acampei no NV em 98. Construí um abrigo, uma balsa, fiz fogo, não cozinhei apenas vi cozinharem e comi a “gororoba” que foi feita e aprendi o valor da união.

Estes conhecimentos são ensinados na escola? Na rua? Na faculdade? Na igreja? Ou este tipo de conhecimento é muito comum às instituições militares?

Há quem diga que a validade do conhecimento não está vinculada à instituição responsável pela propagação do mesmo. Concordo. Mas quem negará que são as instituições militares as mais familiarizadas com estas práticas?

No NV os ERs necessitam obrigatoriamente de roupas camufladas.

Eles se embrenham na mata e fazem exercícios de orientação e localização. Usam bússolas. Usam mapas. Usam sinalizadores. Falam em códigos.

E os líderes? Afinal, os ERs não podem ficar sozinhos no acampamento. A maioria dos líderes é composta por militares ou ex-militares. Alguns levam barracas específicas para acampamento.

E o que mais os ERs fazem no NV? Eles estudam a Bíblia, têm as devocionais, os cultos no núcleo, participam das atividades principais do acampamento e pagam flexões. Sim. Os Valentes pagam flexões. Sempre. Muitas. Assim como no exército. O famoso“PAGA DEZ!” é muito ouvido pelos Valentes.

Então se eles aprendem de pessoas que são ou foram militares os conhecimentos que as instituições militares ensinam num ambiente parecido com uma área militar, como é possível que o NV não seja pré-militarismo? Esta é a questão primeira.

Há de se entender que o termo “Militarismo” tem alguns significados. O primeiro, de acordo com o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, significa:


1. Preponderância do exército na governação do Estado.



2. Os oficiais militares.


O segundo significado é mais amplo e está no senso comum. Trata-se de uma ideologia que afirma que a sociedade é mais bem estruturada quando dirigida ou “guiada por conceitos incorporados na cultura, na doutrina ou no sistema militares”.

Acredito que o autor da frase destacada no regulamento deve estar se referindo ao segundo significado, até por que seria imprudência falar mal do exército no ANVER, uma vez que muitos conselheiros são militares ou ex-militares.

Pois bem, se é do segundo significado que se trata, então a situação complica, pois a maioria dos ensinamentos são provenientes da cultura, da doutrina e do sistema militar.

Se faz oportuno prestar atenção ao símbolo oficial do Núcleo dos Valentes que foi colocado na parte superior da postagem.

Um braço forte segurando uma cobra num cenário camuflado. Lembro-me da famosa frase do Exército brasileiro: Braço Forte, Mão Amiga (http://www.exercito.gov.br/).

Eu tenho orgulho de ter participado do NV. Aprendi muito. Aprendi coisas que me fascinaram. Hoje eu tento transmitir aos ERs que demonstram interesse.

Mas não se trata de mim. Fascinar-me ou não, de maneira alguma é um argumento.

A questão segunda é que o ANVER é pré-militar e pré-militarismo.

No acampamento o ER segue uma rotina rigorosa. Há muita diversão, mas os horários devem ser cumpridos à risca. O ER levanta as 06h00min da manhã. O nome do despertar é “Alvorada”. O ER faz exercícios pela manhã. Os ERs participam de reuniões de núcleo. Fazem “guerra” (competição) entre núcleos. Estes são dirigidos por “Líderes de Cabine” e por um “Comandante do Núcleo”. Cada núcleo tem tarefas a cumprir designadas pelos diretores da semana. Qualquer semelhança com o Exército não é mera coincidência.

A questão terceira é que a Organização Embaixadores do Rei (OER) é pré-militar e pré-militarista.

Para ingressar na OER o garoto precisa aprender o juramento, o hino, o significado do nome ER, a divisa e o tema da organização. É o mínimo para que ele seja chamado de “embaixador”.

Uma vez dentro da OER o garoto seguirá por oito anos ou mais num sistema de postos. Ele estuda alguns manuais e é graduado. Ganha insígnias condizentes com o posto alcançado. E aprende que precisa estudar e trabalhar para chegar ao posto máximo da organização. Mais militar... impossível.

Este sistema é absorvido de tal maneira por garotos de nove, dez, onze e doze anos que mesmo quando a idade da liberdade, a saber, a adolescência chega, ele não questiona o sistema de postos. E será que questionará no futuro? Sendo moldado para a vida militar?

Ingressei na OER com apenas oito anos. Hoje sou conselheiro. Passei por quase todos os núcleos no ANVER (apenas não acampei no Aquário, mas já tive o prazer de ser comandante deste núcleo) e reconheço que muita coisa precisa ser modificada, mas dizer que um núcleo não é aquilo que ele é e que não faz aquilo que faz, não ajuda em coisa alguma.

É preciso que todos tenham consciência que a Organização Embaixadores do Rei é pré-militar e pré-militarista, pois só assim poderemos pensar como deve ser a organização, o que precisa ser feito, o que precisa ser mudado, o que deve permanecer...

Eu amo esta organização. E ter sido Valente foi essencial para que eu me tornasse o homem que sou.

O que peço a todos é que não criem uma imagem fantasiosa para encobrir as falhas (e acertos) da organização.

"Quantas mais tragédias terão os nossos jovens que sofrer antes que os adultos aceitem o fato de que a inocência não é preservada pela ignorância?"



Susan Hayman

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

108. Lindo demais...

Não sou católico. Sou protestante e com ressalvas!! Mas a interpretação dada por Jorge Aragão à "Ave Maria" é de emocionar qualquer um, ou quase qualquer um:




E para os que não querem saber de Ave Maria, outra música muito bem interpretada:

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

107. Eu sou louco?

Morre o apresentador e ex-deputado Luiz Carlos Alborghetti




Morreu hoje um dos ícones da televisão brasileira. Alborghetti.

Responsável pelo início dos programas de gênero policial na TV, Alborghetti foi um marco nas gerações que agora adoram "tripa, sangue e revolta".

Alborghetti xingava, cantava e reclamava tanto das injustiças no país que muitos brasileiros tão inconformados quanto ele encontravam um igual na TV a berrar aquilo que todos diziam nas esquinas.

Seus bordões eram insuperáveis e tornaram-se parte do dia-a-dia.

Alguns vídeos do famoso, engraçado, colérico e mais "doido" apresentador que o Brasil já viu:

(Sem palavrões, não seria Alborghetti, desculpem).

Então é aqui?

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